Krypton

O novo seriado da Syfy, Krypton, traz consigo perguntas sobre como super-heróis devem agir. No passado, quando a D.C. Comics era, de longe, a mais importante empresa de quadrinhos (por tráz de super-heróis como Super-homem, Batman e Mulher Maravilha), esta pergunta era fácil de responder: heróis são aqueles que dão sua vida pelos outros, mesmo que estes não o mereçam. O “bem” estava acima de tudo.

Isto era seguido até que a Marvel começou a se popularizar com títulos como X-Men e a figura do anti-herói roubou a cena dos heróis “puros” da D.C. Aliás, esta é uma das reclamações que fãs da Marvel tem da D.C. – que seus heróis são muito perfeitos – enquanto amantes da D.C. respondem que são perfeitos exatamente por esta razão: porque são super-heróis.

Embora existam estes dois lados da conversa, quem vem ganhando a disputa no cinema e na televisão é o estilo da Marvel, fazendo com que até mesmo a Warner Brothers, que tem os direitos da D.C., mude seus heróis para ficarem parecidos com aqueles da empresa rival (o filme Homem de Aço, dirigido por Zack Snyder, por exemplo, traz um Super-homem muito menos “perfeito” e que não salva nem o seu pai, na tentativa de manter sua identidade secreta).

Porém, Krypton, criada por David S. Goyer e Damian Kindler, fãs do Super-homem e dos quadrinhos antigos, parece ir mais em direção ao estilo da antiga D.C., trazendo o antepassado do Super-homem para a TV. A série se passa no planeta de origem de Kal-El, nome verdadeiro do herói. O seriado começa bem, mostrando o pequeno Seg-El (Cameron Cuffe), futuro avô de Kal-El, vendo seus familiares serem perseguidos pelo governo Kryptoniano por se dedicarem à ciência.

A família El acredita que existam outras civilizações no universo enquanto os religiosos líderes de Krypton acreditam que isto seja uma heresia. Porém, a família El teme que civilizações interplanetárias podem atacar seu planeta futuramente, e para salvarem os Kryptonianos, os antepassados do Super-homem agem como ele: estão dispostos a darem sua vida e serem perseguidos por seus líderes.

As coisas ficam mais complicadas, porém, quando Seg vira adolescente. Embora se porte como um adolescente rebelde, é claro ainda que os criadores de Krypton dão a Seg um tom puro parecido com o de Kal-El, já que ele tem uma visão bastante clara do que é fazer o bem aos outros. Porém, logo depois, a série começa não somente a mostrar um herói no estilo da antiga D.C., mas vira uma homenagem ao Super-homem, tirando a atenção do que Krypton estava tentando criar.

Assim, Adam Strange, interpretado por Shaun Sipos (personagem criado antes do herói da Marvel, Doctor Strange), é um ser-humano do futuro que vai a Krypton e diz a Seg-El que seu neto será um grande herói no planeta Terra. Para combater o Super-homem, Brainiac, que é um de seus inimigos, decide ir para o passado para destruir Seg e o planeta Krypton, para impedir Kal-El de nascer.

De repente, todo o enredo que se baseava na descoberta de um planeta diferente nos estilos da D.C. antiga vira uma homenagem ao Super-homem sem que este apareça – com exceção de sua capa, que desaparece aos poucos e vira um tipo de contagem regressiva para a destruição do planeta. A homenagem pode fazer com que o intuito de criar super-heróis nos moldes antigos se perca em símbolos do passado.

 

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