Power Rangers: Era uma vez, uma repetição

Power Rangers, uma das franquias mais famosas da empresa Saban Entertainment, oferece uma nova (ou não tão nova) releitura do seu universo no longa de mesmo nome que estreou no dia no dia 24 de março de 2017.

O filme, como já era de se esperar nos padrões dos dias atuais, tem um clima mais sombrio do que o famoso seriado de televisão que em 1995 estreava na Rede Globo. Porém, Power Rangers consegue balançar cenas de comédia e cenas dramáticas de modo eficaz, não tentando se levar tão a sério como muitos filmes do mesmo gênero, como por exemplo Transformers. Aliás, uma das cenas mais engraçadas é quando um dos gigantescos monstros de Power Rangers chuta e destroe um carro muito similar ao carro Bumblebee, personagem do longa de robôs alienígenas, claramente brincando ou desafiando o filme competidor. O que mais impressiona, porém, é como o gênero tem conseguido se manter sem muitas mudanças durante o tempo.

Histórias de monstros gigantescos ganharam popularidade no Japão nos anos 50, após o país ter sido invadido por super-heróis americanos como Super-Homem e, consequentemente, tentava achar seus próprios personagens. Um dos primeiros foi o Godzilla, gigantesco dinossauro que aparece depois de testes com bombas terem perturbado seu habitat.

Anos depois, especialmente durante os anos 70, muitas histórias parecidas foram desenvolvidas em torno de um grupo de jovens que se transformavam em heróis e lutavam com monstros gigantescos para salvar a humanidade. O estilo tosco, por falta de orçamento, sempre fez parte deste tipo de produção.

No Brasil, a febre deste gênero, chamado Tokusatsu, começou nos anos 80 com a estreia de Changeman na antiga Rede Manchete. A estrutura de cada episódio de Changeman é repetitiva e também se mantem até hoje. O seriado sempre começava com um monstro que aterrorizava a sociedade. Para conter o problema, heróis especiais trocavam de roupa magicamente e cada um vestia uma cor diferente. Depois de derrotar o monstro, este se tornava gigante, e era neste momento que os heróis pilotavam um robô igualmente gigante que finalmente destruiria o inimigo depois de causar destruição na cidade. Este tipo de história faz parte de muitos seriados que vieram depois, como Flashman, e também Power Rangers.

A repetição se tornou não apenas uma fórmula a ser seguida, mas a ser esperada pelo público, de modo que muitas cenas de luta gravadas no passado eram utilizadas até mesmo por seriados diferentes sem que o público percebesse.  Porém, o seriado Power Rangers, que foi uma parceria entre a empresa japonesa Toei, já famosa por outros heróis, e Saban, conseguiu inovar por inserir sua história em um ambiente mais estudantil e descontraído, algo que ainda é usado no novo filme.

O sucesso de uma fórmula de repetição não é surpresa. Mesmo contos infantis como Chapeuzinho Vermelho ou Branca de Neve são repetidos muitas vezes devido ao desejo de crianças de ouvi-las mais de uma vez. Power Rangers não é diferente. Assim como contos infantis, seu sucesso, que nunca será de crítica, depende da esperada fórmula com um pequeno toque diferente. No filme, este toque diferente é o uso de efeitos especiais menos toscos do que se espera, personagens um pouco mais complexos e com problemas familiares, e um reconhecimento de si mesmo por ser um filme “B” por meio de cenas engraçadas que agradam crianças e adolescentes.

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