Legion

Legion talvez seja uma das mais bonitas, mais complexas e mais interessantes séries de televisão já produzidas. Se efeitos especiais de última geração já eram necessários para qualquer história da Marvel vista na telona, este seriado leva a arte de efeitos ao seu limite, não somente durante as duas horas de um filme, mas por toda a temporada.

Mais do que isso, Legion é o que há de melhor na televisão. Seu visual é claramente artístico e leva a arte pós-moderna a lugares que a TV nunca tinha tido a oportunidade de mostrar. Além disso, a edição impecável dá ao show o suspense que necessita para que espectadores possam ficar vidrados no clima único desta obra, criada para a Marvel pelo escritor Chris Claremont e artista Bill Sienkiewicz em 1985.

Cores vibrantes, objetos fora de seu tempo ou de seu lugar, personagens únicos e macabros, além de locações abstratas que poderiam deixar o enredo de Legion um pouco confuso. Mas este é exatamente o intuito, onde os problemas mentais de seu personagem principal, David Charles Haller, dão unidade à obra.

Como um marco do nível artístico da TV, Legion é uma aposta atrasada da Netflix, que é a detentora do título de maior produtora de filmes e séries. Ela mesma superou a FOX (produtora de Legion) ainda em 2016, com 43 séries e filmes lançados na rede de streaming. Com isso, 10% de toda a produção dos EUA estão nas mãos da gigante, que continua a crescer no mercado da sétima arte.

Em pesquisa recente, a entidade britânica especializada em pesquisa com crianças e jovens Childwise, revelou que a população jovem (abaixo dos 16 anos) prefere assistir a mídia on-demand ou streaming. A empresa aponta que a própria Netflix é a plataforma preferida dos jovens, e que também não há mais a disputa sobre o que assistir, já que cada membro da família pode ver o que quiser, quando quiser.

Isso aponta para uma evolução. Há muito se discute sobre a questão do Streaming vs. Estúdios Tradicionais, repercutindo em Cannes e no Oscar. No Brasil, diretores e atores reclamam que 90% das produções não são passadas no cinema ou TV – e quando vão, saem de cartaz nas primeiras duas semanas. Com isso, o streaming só tem a ganhar, seja pela viabilidade de terem um grande repertório de títulos em seu catálogo, seja para acabar com a pirataria (no estudo realizado pela empresa Kantar Media, o número de pessoas que utiliza serviços legais de streaming para ver filmes/música aumentou em 15%).

Outras empresas até tentam competir com o crescimento exorbitante da gigante. A própria FOX retirou da Netflix vários títulos, pois estava para lançar um aplicativo que sincronizava a exibição dos programas com outros aparelhos como celular. Além disso, modificou a dinâmica nos dois canais FOX Premium.

Entretanto, não se pode discutir: ainda é fenomenal o poder da Netflix para filmes e séries ao redor do globo. Mesmo que as produções tenham pouco tempo de ‘vida útil’ no streaming – sendo repostas por novos e mais interessantes títulos – é inegável a aprovação pela plataforma, seja com séries grandes e de diversos efeitos especiais como a Legion, seja com produções locais e indies.

Mas se Legion marca um diferente nível artístico na televisão, o programa reafirma a influência da Netflix no mundo do cinema. Embora tenha sido originalmente produzido para o canal americano FX, a Netflix demonstra que não somente produz shows de sucesso, mas é bem-sucedida no comércio de filmes de outras produtoras em diferentes países, como o Brasil.

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