O apelo por trás do pesadelo tecnológico de Black Mirror
Black Mirror, o show britânico que começou na Inglaterra em 2011, recentemente estreou sua terceira temporada no Netflix. O espetáculo, que mostra uma realidade alternativa e sombria, coloca os problemas causados pela tecnologia em pauta. O programa vem crescendo surpreendentemente em popularidade a cada ano e sua audiência se espalha para mais e mais países como Austrália, Israel, Suécia, Espanha e China – e ganhou um público cativo no Brasil.
Os roteiros bem escritos e a competente produção de Black Mirror não são os únicos aspectos responsáveis pelo grande sucesso da série. Muitas obras cinematográficas gravadas antes do show – por mais que sejam clássicos da televisão e do cinema – vinham perdendo força perante um público que já havia entendido o formato dessas gravações e esperavam por algo novo. Além da Imaginação (Twilight Zone), considerado por críticos um dos seriados que influenciou Black Mirror fortemente, é um destes programas de ficção cientifica que mostram como a tecnologia e forças sobrenaturais podem se tornar um pesadelo para a humanidade. Porém, embora tenha feito um grande sucesso entre os anos de 1959 e 1964, contando com fãs ainda hoje, sua popularidade começou a se esgotar nos anos 70. A tentativa dos produtores de trazer o programa para as televisões novamente nos anos 80 gerou certo entusiasmo, mas nunca com a mesma força do programa original.
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Imagem de Além da Imaginação (divulgação) |
Enquanto muitos acreditam que Black Mirror conseguiu dar nova vida ao gênero esgotado de Além da Imaginação por causa de seu clima mais sombrio, muitas outras obras já haviam exposto a tecnologia de modo tão ou mais pessimista do que o seriado britânico. Por exemplo, o filme Matrix praticamente mostra toda a humanidade servindo como bateria para alimentar um mundo controlado por robôs. O filme recente Ex Machina também mostra o perigo da inteligência artificial de modo frio e sem esperança, onde robôs tem emoção e querem vingança contra os humanos que os criaram, ao mesmo tempo que os humanos são fracos e não muito espertos.
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Imagem de Matrix (divulgação) |
A diferença entre Black Mirror e estas outras obras é que o futuro tecnológico apresentado na série já ocorre. Em outras palavras, enquanto outros seriados de televisão e filmes do gênero fazem parecer que o futuro acontecerá daqui a uns 100 anos, deixando a previsão bem distante do espectador, o rapidíssimo avanço tecnológico da época em que vivemos, aliado ao fato de que Black Mirror mostra vícios tecnológicos que já existentes (como por exemplo o vício da mídia social), faz com que o futuro no show pareça perigosamente perto da vida real.
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Imagem de Black Mirror: Terceira Temporada (divulgação) |
Usando humor negro, Black Mirror não alerta contra um futuro distante e sombrio, mas simplesmente mostra um futuro que já está perigosamente parecido com o presente.