O Próximo Passo

As novas mídias estão mudando o mundo das comunicações de maneira tão rápida que mesmo jovens e crianças percebem estas mudanças. Claramente isto também afeta todas as artes, incluindo as relacionadas ao entretenimento. As artes são afetadas tanto no conteúdo como no seu formato. Uma pergunta interessante é: qual o próximo passo?

Para tentar imaginar o novo estágio que as mídias de comunicações e entretenimento alcançarão no futuro, basta entender as tendências do passado que nos trouxeram a este presente. E, todas estas tendências apontam para o desejo humano de dar vida a novas realidades. Há quem diga que até mesmo homens pré-históricos criavam artes que lembravam imagens distorcidas que se projetavam nas paredes das cavernas. Esta técnica, milhares de anos depois, seria usada como inspiração para a criação da câmera obscura.

A invenção da câmera obscura possibilitou não somente experimentos com luz, mas também a criação de pinturas realistas como aquelas da renascença italiana. Por meio de um pequeno buraco em uma das paredes de uma sala escura, a luz que passa forma uma imagem (ao contrário) na parede oposta, possibilitando um pintor a capturar a realidade de maneira eficaz.

Esta é a própria técnica da fotografia, que é praticamente uma câmera escura que deixa a luz atingir o papel fotográfico (hoje o sensor digital), por meio de um buraco pequeno (a lente). A única diferença entre a câmera obscura e a máquina fotográfica é que foi descoberto um modo de fixar esta imagem invertida por meio produtos químicos, a maioria usando a prata como parte do produto final.

Depois de fixar a imagem, o próximo passo para capturar a realidade foi dar movimento à fotografia e, assim, o cinema chegou com a invenção dos irmãos Lumiere. E, dezenas de anos depois, o cinema passou a contar com sons de alta qualidade assim como com efeitos especiais que permitiram que objetos inexistentes pudessem aparecer na telona como se fossem fotografados.

A próxima técnica, que demorou bastante para se popularizar, finalmente chegou e se deve ao poder do computador. O cinema permitiu (com todas as mídias que o utilizam de uma maneira ou de outra, como a televisão) que imagens em movimento sejam vistas por meio de uma janela e traz uma realidade alternativa por meio das telonas. Porém, o rastreamento em tempo real permitido pelo computador deu à imagem do cinema o poder de se tornar mais do que uma janela, com a realidade virtual.

Por meio de óculos de realidade virtual como Oculus Rift ou Vive, o espectador pode jogar jogos de videogame ou assistir filmes em 360 graus como se este estivesse dentro de uma nova realidade. Atualmente, esta vertente pode parecer uma tecnologia de última geração, mas com o aceleramento das inovações, este quadro poderá mudar rapidamente.

Então, a pergunta volta. Qual seria o próximo passo na evolução das mídias. Se pensarmos nesta busca por capturar uma realidade alternativa cada vez mais perfeita, a resposta pode não parecer tão difícil. O problema da realidade virtual atualmente é o uso de óculos pesados e que não deixam o corpo do espectador se mover de maneira livre. Mesmo eliminando este problema, ainda há o fato de que o espectador não pode interagir com os objetos deste mundo alternativo como faz na realidade.

Sim, a realidade virtual pode se tornar tão perfeita como em filmes de ficção cientifica como Jogador Número 1. Mas há indícios que o ser humano irá muito além disso. Por exemplo, Elon Musk, conhecido por companhias de última geração como a Tesla, também é fundador da Neuralink, uma companhia que está desenvolvendo computadores para serem implantados no cérebro.

Mesmo que o principal objetivo seja dar um “upgrade” no ser humano, especialmente em relação às doenças, não é difícil ver que esta tecnologia também será usada para a arte e o entretenimento, criando realidades sem iguais. Neste caso, a mídia então se tornaria parte dos nossos próprios corpos. Ainda assim, sem o conhecimento deste futuro, é difícil prever se este ainda seria o último passo na nossa busca por uma realidade alternativa perfeita.

Texto escrito pelo cineasta Daniel Bydlowski para o Revista Zoom.

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