Um encontro com o Japão no meio do jantar

O Japão sempre foi um cenário enigmático e vívido ao mesmo tempo. Capaz de transformar roteiros e tornar-se uma personagem como em “Encontros e Desencontros”, (Lost in Translation), de Sofia Coppola. Mas e quando o tema é a gastronomia, será que o background ainda teria o mesmo efeito?

Sem dúvidas. No documentário “Jiro Dreams of Sushi”, dirigido por David Gelb, a história é a tradição. Não só de Jiro Ono e seu restaurante, mas também de uma cultura.

Com cenas que atingem perfeitamente o objetivo, abrir o apetite do espectador, o documentário acompanha a rotina de Jiro e seu filho Yoshikazu. O que motivou a produção foi o fato de o restaurante ter três estrelas no concorrido Guia Michelin, exatamente aquele em que Bradley Cooper interpreta o chef Adam Jones e luta tanto para conquistar em “Pegando Fogo” (Burnt), 2015 de John Wells.

Jiro Dreams não tem aquele ar frenético de alguns programas que retratam o cotidiano de chefs de cozinha, pelo contrário. David Gelb foi tão particular e talentoso em sua produção que o resultado rendeu-lhe um convite da Netflix para dirigir “Chef’s Table”, série indicada ao Emmy em que grandes nomes da culinária do mundo inteiro redescobrem a gastronomia com inovadores pratos e sobremesas. Vale cada episódio!

Voltando ao Japão, o documentário se torna culturalmente importante por conta das singularidades, até um pouco típicas dos japoneses. Jiro, na época das gravações, tinha 85 anos, e dizia ainda aprimorar a técnica para preparar o melhor sushi do mundo. Ainda, para se tornar um aluno reconhecido por ele é necessário dedicar-se por 10 anos diariamente.

Muitos aprendizes desistem, não conseguem acompanhar o ritmo e as dura lições do famoso cozinheiro, e este filme retrata bem a hierarquia japonesa.

Jiro não é só sobre culinária e a história de sucesso de um homem, mas também um convite à reflexão de relacionamentos familiares, a arte da perfeição, tradição e cultura de um país difícil de passar despercebido para qualquer pessoa que sonha com destinos inesquecíveis.

 

Texto escrito pelo cineasta Daniel Bydlowski à Revista Segue Viagem.

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